Citações:

Sem o direito natural não há Estado de direito. Pois a submissão do Estado à ordem jurídica, com a garantia dos direitos humanos, só é verdadeiramente eficaz reconhecendo-se um critério objetivo de justiça, que transcende o direito positivo e do qual este depende. Ou a razão do direito e da justiça reside num princípio superior à votante dos legisladores e decorrente da própria natureza, ou a ordem jurídica é simplesmente expressão da força social dominante
(José Pedro Galvão de Sousa, brasileiro, 1912-1992)

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

EXPLICAÇÃO DO DIA: ELUCIDÁRIO E MEGA FERREIRA

Nas artes, na literatura e poesia nem tudo o que parece, é. Mário Lúcio Sousa parece que é. A ler! Entretanto, "lá para trás", um comentador anónimo de um poste que não tive oportunidade de comentar, sobre escrever e/ou ler, parece que não. Parece que é só escritor, sem ser leitor, quando levantou aquelas excreções amargas que tanto "impedimento e inacção" causam à escrita de quem escreve por escrever, por gosto, amor, simples necessidade. Sem querer saber ser designado autor, ou, esse enigma maior, o ser vaticinado como escritor com E grande.
Por alguns lados e tempos levantam-se grinaldas de convencimento, como se o "auto-convencimento" levasse ao caminho do não defraudar da consciência e da elevação da mesma. Entre vates que clamam o amor, e outras saloiadas de grande erudição, ao nível do sitcom da gargalhada, ou vidas projectadas em tempo real no écran, pequeno, há verdadeiros vates contrários aos armadilhados e monopolistas da pena, tantas vezes esquecidos, tantas vezes escarnecidos por viverem em conchas mais amenas e supremas.
Estando a ler um deles venho lembrá-lo, já que poucas vezes o vejo mencionado. Falo do António Mega Ferreira, um enorme escritor. Mais, um enorme erudito da palavra e do conteúdo das vidas, dissecando, expondo, observando. "Macedo, uma biografia da infâmia", é um livro ardoroso, um manual, mais do que uma sebenta da escrita. Um tomo com tronco, membros, mas, também, com cabeça... que é, infelizmente, coisa muito em falta a excretores "apoderados" da coisa pública Escrita, da palavra como exercício de comunicação, uso, prazer.
Mas hoje é o dia internacional da tolerância. Conjuguemos pois o tolerare, tolerarum, ... e saboreemos a "Biografia da Língua".

terça-feira, 25 de outubro de 2016

PENSAMENTOS

Os pensamentos são como as pessoas: não morrem, logo, são uma espécie de património imaterial da humanidade com paternidade difusa e sem sentimentos de pertença.
(© Pedro A. Sande; Benjamin)

DE FARDO A FADO

«— Lacaio do seu mestre — disse levantando-se. — É melhor falar aqui com os financeiros.
Para Saúl a história de Portugal era agora como esse cão que, por sistematicamente maltratado, mudara de dono e abanava a cauda. Ainda com a tristeza de suportar um fardo passado que, declinando, se tornava fado.»
© (Pedro A. Sande; Benjamin)

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

NÓS E OS OUTROS


Na realidade a vida é mesmo isto. O questionar constante. A avaliação diária dos nossos actos. A decisão que nos compromete perante os outros e a vida. Vale a pena? Nesta vida somos mesmo amados ou apenas instrumentos para? Pequenos espaços a ocupar entre viagens? O que perdemos ou não perdemos na nossa entrega? Até que ponto no nosso dar despojado podemos hipotecar a nossa liberdade, as nossas ideias, os nossos valores, a nossa ponderada assertividade? Que capacidade podemos esperar dos outros para se integrarem em nós? Para abdicarem de pequenos tiques, pequenas práticas, pequenas agendas pessoais ou de núcleos estreitos, ou estritos, pequenos alinhamentos, pequenas idiossincrasias? Até que ponto somos capazes de partilhar o nosso espaço ou os nossos afectos abdicando, ou não, de alguns dos nossos princípios, práticas ou da nossa própria comodidade? Que lugar ocupamos e ocuparemos na hierarquia dos afectos? Simétrico ou assimétrico? Até que ponto a bondade dos nossos sentimentos tem correspondência biunívoca real? Que frutos sairão, ou não, dessa dádiva ao outro? Que caminho traçamos para nós próprios? Quão descartáveis somos em cada instante, cada momento, cada futuro? Que exigência devemos impor ou quão transigentes, intransigentes, devemos ser nos pequenos actos do dia-a-dia? Que podemos esperar das palavras, sejam elas amargas ou doces? Que ligação tem as palavras com os actos e vice-versa? Que esperar dos outros? Que esperar de nós próprios? Que esperam os outros de nós? Que vida queremos viver? Que cedências estamos prontos a verter para, sendo nós, sem anulações, ou restrições, sermos também os outros? Que esperar da Vida na sua efemeridade? Que estrelas queremos ser? Que lugar queremos ocupar no firmamento? Que céu, purgatório ou inferno nos está destinado?
© PAS